Diego Jaimes, reumatologista especializado em epidemiologia, explica como a inteligência artificial está transformando o manejo de pacientes com doenças crônicas
A inteligência artificial (IA) abriu um novo campo na área de saúde, permitindo o gerenciamento mais eficiente de grandes quantidades de dados e melhorando a tomada de decisões clínicas. Nesse contexto, Diego Jaimes, reumatologista com mais de uma década de experiência em epidemiologia, tem trabalhado na implementação de IA e análises avançadas para melhorar o tratamento de pacientes com doenças crônicas e complexas.
Em uma entrevista recente com Laura Velásquez para o AiHeroes, Diego Jaimes compartilhou sua experiência sobre como a IA e outras tecnologias estão ajudando a transformar o setor de saúde. Ao longo deste blog, aprofundaremos os pontos-chave destacados por Diego Jaimes, desde a adoção de ferramentas tecnológicas até os desafios enfrentados pela indústria para otimizar o atendimento médico.
Para Diego Jaimes, a inteligência artificial é "um mundo a ser explorado e desenvolvido". Seu foco tem sido implementar a IA como uma ferramenta-chave para melhorar o atendimento de pacientes, especialmente aqueles com doenças crônicas. Ao longo de sua carreira, ele trabalhou na interseção entre a medicina e a tecnologia, unindo a pesquisa clínica ao desenvolvimento empresarial no setor de saúde.
Em sua conversa com Laura Velásquez, Diego Jaimes explicou que o que mais chamou sua atenção inicialmente foi a capacidade da IA de prever e analisar grandes volumes de dados. Tradicionalmente, a medicina era considerada uma profissão de "meios e não de resultados", mas com o advento da IA, as previsões tornaram-se mais precisas, abrindo novas oportunidades para aplicar esses avanços diretamente no tratamento de pacientes.
Um dos desafios que Diego Jaimes enfrentou em seu trabalho foi a implementação de ferramentas de análise avançada e IA no ambiente clínico. A transição de registros em papel para registros eletrônicos foi um passo fundamental, mas também exigiu um investimento significativo em tecnologia e o desenvolvimento de novos fluxos de trabalho.
Diego Jaimes menciona que a interconexão e os custos associados foram barreiras importantes no início. Embora tenham conversado com grandes empresas de tecnologia como Google e Microsoft, suas soluções eram mais focadas no ambiente empresarial, o que dificultou a adaptação às necessidades específicas das instituições de saúde.
No entanto, apesar desses obstáculos, Diego Jaimes e sua equipe começaram a desenvolver suas próprias soluções, o que lhes permitiu avançar na implementação de análises descritivas e preditivas. Essa abordagem de "aprender fazendo" permitiu que eles desenvolvessem soluções que abordam os problemas reais dos pacientes, embora nem sempre tenha sido um caminho fácil.
Diego Jaimes destaca a importância do alinhamento entre as equipes clínicas e os desenvolvedores de dados para que a IA funcione corretamente na prática médica. Sem esse alinhamento, os projetos tendem a fracassar, como ele mesmo experimentou em uma de suas primeiras tentativas de implementar soluções de IA para um cliente.
Em sua entrevista, Diego Jaimes explicou como a falta de comunicação entre a equipe de dados e a equipe clínica resultou na criação de uma solução que não atendia às necessidades reais dos pacientes. Embora a ferramenta estivesse tecnicamente bem desenvolvida, no final, a equipe clínica continuou a usar o Excel para fazer suas análises, o que destaca a necessidade de garantir que todas as partes entendam claramente os objetivos do projeto.
Para evitar esses problemas no futuro, Diego Jaimes recomenda manter um feedback constante entre os diferentes atores envolvidos no desenvolvimento de tecnologias de saúde. Isso não só ajuda a garantir que as soluções sejam adequadas, mas também permite ajustar rapidamente qualquer problema antes que o projeto esteja muito avançado.
Um dos principais focos de Diego Jaimes tem sido o tratamento de pacientes com múltiplas patologias e alta complexidade, especialmente em um ambiente ambulatorial. Em sua entrevista, ele comentou como, historicamente, a alta complexidade tem sido associada a hospitais e intervenções cirúrgicas, mas existem muitas necessidades desses pacientes que podem ser gerenciadas fora do hospital.
Nesse sentido, a inteligência artificial tem desempenhado um papel fundamental ao facilitar o monitoramento e o atendimento contínuo dos pacientes. Diego Jaimes mencionou como o telemonitoramento e as soluções tecnológicas podem ajudar a melhorar a adesão dos pacientes aos tratamentos, não apenas em termos farmacológicos, mas também no comparecimento às consultas e na realização dos exames necessários.
Embora a IA já esteja tendo um impacto positivo na saúde, Diego Jaimes acredita que ainda há muitos desafios a serem superados. Um dos mais importantes é a criação de um marco regulatório claro que defina como as soluções de inteligência artificial devem ser implementadas no setor de saúde. A falta de regulamentação pode levar ao desenvolvimento de soluções que não atendam aos padrões éticos ou que coloquem em risco a privacidade dos dados dos pacientes.
Diego Jaimes enfatiza a necessidade de estabelecer um conselho regulador que supervisione o desenvolvimento de tecnologias de IA na saúde, garantindo seu uso responsável. Além disso, ele acredita que a indústria precisa de mais formação para que os profissionais de saúde possam utilizar essas ferramentas de forma eficaz.
Finalmente, Diego Jaimes destaca a importância de se manter atualizado com os avanços tecnológicos na saúde. À medida que a IA evolui rapidamente, é essencial que médicos e pesquisadores estejam informados sobre as últimas tendências e ferramentas disponíveis. Diego Jaimes recomenda fontes como o New England Journal of Medicine, que tem uma seção dedicada à inteligência artificial aplicada à medicina, como uma forma eficaz de se manter atualizado.
O aprendizado contínuo e a formação em novas tecnologias são fundamentais para que os médicos possam utilizar a IA de maneira eficaz em sua prática clínica, o que, por sua vez, melhora os resultados para os pacientes.